11.7.13

Manhã


estou
e num breve instante
sinto tudo
sinto-me tudo


deito-me no meu corpo
e despeço-me de mim

para me encontrar
no próximo olhar


ausento-me da morte
não quero nada

eu sou tudo

respiro-me até à exaustão


nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas

e adormeço onde tombam a luz
[e a poeira


a vida (ensinaram-me assim)
deve ser bebida
quando os lábios estiverem
[já mortos

educadamente mortos

 
 

mia couto, novembro de 1979

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