Manhã
estou
e num breve instante
sinto tudo
sinto-me tudo
deito-me no meu corpo
e despeço-me de mim
para me encontrar
no próximo olhar
ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão
nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz
[e a poeira
a vida (ensinaram-me assim)
deve ser bebida
quando os lábios estiverem
[já mortos
educadamente mortos
estou
e num breve instante
sinto tudo
sinto-me tudo
deito-me no meu corpo
e despeço-me de mim
para me encontrar
no próximo olhar
ausento-me da morte
não quero nada
eu sou tudo
respiro-me até à exaustão
nada me alimenta
porque sou feito de todas as coisas
e adormeço onde tombam a luz
[e a poeira
a vida (ensinaram-me assim)
deve ser bebida
quando os lábios estiverem
[já mortos
educadamente mortos
mia couto, novembro de 1979
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