31.5.13

Embriagai-vos:

É necessário estar sempre bêbado.


Tudo se reduz a isso; eis o único problema.


Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate 

e vos faz pender para a terra, 
é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê? 

De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

Contanto que vos embriagueis.


E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, 

na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, 
despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, 

perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, 
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, 
a tudo o que canta, a tudo o que fala, 
perguntai-lhes que horas são;

e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, 

hão de vos responder:
É hora de se embriagar!


Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, 

embriagai-vos;

embriagai-vos sem tréguas!


De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.


(Baudelaire)

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