16.4.13

há milhares de anos, alguns homens se reuniram e, em nome de deus, separaram da carne todos os assuntos que tinham que ver com o espírito. a carne foi denegrida e o corpo tornou-se o inimigo, e suas energias, instintos, caprichos e impulsos foram subitamente colocados sob suspeita.

foi um acontecimento trágico na história da civilização ocidental. nesse divórcio entre o espírito e a carne, perdemos o respeito pelo corpo e, finalmente, esquecemo-nos de que ele era uma parte de nossa santidade. com isso, também perdemos o respeito por todas as coisas femininas, que eram nossas metáforas para todas as  coisas da Terra. e, uma vez que o feminino foi assossiado com a escuridão, perdemos o respeito pela lado sombrio de nós mesmos, pela parte de nós mesmos que vive nos mais profundos recessos da nossa psique.

essa multilação é a nossa principal ferida. esse divórcio entre o espírito e a carne, entre o masculino e o feminino, entre a luz e as trevas, é a perda da alma.

seu corpo, é o útero da sua alma.

um trabalho de parto do amor precisa ser feito.

cava bem fundo nesse seu corpo e deixa sua alma berrar.

G.R.

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