29.4.13


Sobre Ostras e Pérolas..


A Natureza é sábia no que faz.

um belíssimo exemplo é: como nascem as pérolas.

a ostra, para poder sobreviver, tem que se abrir completamente para captar os nutrientes que estão presentes na água . acontece que em um momento em que ela se abre para poder se nutrir,  junto com o alimento ela termina por ingerir também algum corpo estranho, como um grão de areia, por exemplo.

o grão de areia, ao adentrar na ostra fere o seu interior, causando danos à estrutura interna da concha. mas mesmo assim, a ostra necessita fazer esse movimento de abrir-se para captar nutrientes repetidas vezes, pois do contrário ela desfalece e morre.

há algumas belezas nessa situação da ostra:

ou se abre para se nutrir, mesmo sob o risco de causar algum sofrimento; ou do contrário, permanece hermeticamente fechada e morre por inanição.

mas no que se resolve se abrir para se alimentar e sobreviver, ela corre o risco de se expor às ameaças externas, que estão presentes na água e vêm junto com o alimento. nesse risco eminente - entre a morte certa e a possibilidade de uma vida em sofrimento - ela naturalmente opta pela segunda opção, e ao se expor, é invadida pelo grão de areia.

na invasão, a ostra, para aliviar o sofrimento e o incômodo que sente pelo grão de areia libera uma substância, que por sua vez é a mesma que compõe a proteção de suas conchas.

e nisto vemos outra beleza na situação da ostra:

a fim de cessar o sofrimento e o incômodo pelo grão de areia, ela deixa de cuidar da proteção externa e passa agora a tentar minimizar a dor e o sofrimento que sente, revestindo o grão de areia com o mesmo material que deveria estar reforçando as paredes externas de suas conchas.

o nome dessa substância liberada chama-se madripérola.

daí que uma ostra que nunca passou por isso, nunca será capaz de produzir uma pérola. ***

assim me vem a terceira beleza que posso observar sobre as ostras:

suas pérolas são causadas pela dor e pelo sofrimento, e que por uma questão de amor-próprio e auto-preservação a reveste com aquilo que lhe é mais importante, a fim de que não sofra mais com os arranhões do grão de areia.

logo, toda pérola é uma dor que chegou a seu termo pelo amor à Vida.



Do blog:
nomeiodonada.blogspot.com
há muito tempo atrás...



"Ou se abre para se nutrir, mesmo sob o risco de causar algum sofrimento; ou do contrário, permanece herméticamente fechada e morre por inanição"

"..por uma questão de amor próprio e auto-preservação a reveste com aquilo que lhe é mais importante..""

amor à dor ... abraço o escuro ... a beleza que somos .. inteiros .. integrados .. amor .. amor ..

 

*Jú*

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